Cursos online: 10 fatos antes de começar

Você tem um conhecimento bacana sobre algo que pode compartilhar com outras pessoas e, eventualmente, ganhar dinheiro com isso. Vale a pena investir criando cursos online atualmente? Onde colocar? Confira este post para entender diferentes visões sobre o tema e chegar na sua resposta.

cursos online

10 fatos sobre cursos online

Cursos online estão na moda já faz algum tempo. Agora, o que está na moda são cursos sobre fazer cursos, como se fosse um meta-curso. É possível achar vários exemplos. Conhece aquele youtuber comediante, Whindersson Nunes? Ele agora dá um curso sobre como montar um curso. Qual curso? Qual você quiser, ainda que a área específica dele seja o humor. O foco é ensinar o “como dizer”, não “o que dizer”.

Seguia alguns professores de programação que, agora, dão cursos sobre como montar seu curso. Um deles anuncia assim: “Descubra como criar cursos online e ganhar mais de 10 mil reais por mês”. Profissionais que usam a fórmula de lançamento do Jeff Walker, ou ainda, profissionais de marketing digital, usam e abusam do meta-curso. Eles anunciam assim: “Crie um curso mesmo sem saber nada, do zero, e ganha múltiplos dígitos em 7 dias”. Surreal.

Conseguiria citar mais exemplos, mas o ponto é que comportamentos e ofertas como essas potencializaram os cursos online. Com novas plataformas prontas para só receber o conteúdo de cursos, como vídeos e documentos PDF, a produção decolou. São os chamados Market Places e vou falar deles neste post. Você já deve ter ouvido falar de algum: Udemy, Coursera, Lynda, Udacity. Com cursos de como fazer um curso somados às plataformas prontas para vender, o que poderia dar errado? É só continuar lendo.

Vamos começar a investigação por algumas perguntas:

  • Será que tem tanta gente assim consumindo cursos online? Eles funcionam?
  • O consumo de cursos acompanha a alta oferta atualmente? Como ocorre esse consumo?
  • Vale a pena você montar o seu curso online? Onde colocá-lo? Terei retorno financeiro? Em quanto tempo?

Fato #1 – Por que criar um curso?

A primeira coisa que a maioria das pessoas pensa ao montar um curso online é dinheiro. Uma ou outra pensa em montar um curso gratuito só para compartilhar conhecimento, deixar um legado (um curso online é algo seu, que vai existir enquanto aquele assunto for pertinente para a sociedade atual). A ideia normalmente nasce como plano B. A pessoa tem um emprego e monta um curso para vendê-lo na internet com o objetivo de gerar renda extra. Quem começa nessa linha e tem paciência e constância, em geral, prospera, mas é preciso cautela. Pode ainda prosperar muito, de modo que o extra, vire o oficial e exclusivo ofício. Este é o lado bonito, o pensamento e o exemplo que movem várias pessoas, mas não é o que acontece para a maioria.

Fato #2 – Constância e paciência

Constância significa atualizar constantemente seus conteúdos. Criar interação com os alunos (por e-mail, redes sociais, eventos etc) periodicamente e manter um padrão de qualidade na comunicação.

Paciência é esperar o tempo necessário para colher os frutos, corrigindo a direção sempre que preciso. Muitos desistem porque, ao não gerar constância, demandam de mais tempo e, consequentemente, de mais paciência. O quê é difícil de ter, principalmente para quem tem pressa em ganhar dinheiro. Outras pessoas decidem forçar a barra e gastam tubos de dinheiro com anúncios logo de cara. Quando não dá certo, desistem ao pesar a intenção de não queimar mais tempo e dinheiro versus recuperar o investimento.

Isso posto, já consigo responder algumas perguntas.

Fato #3 – Retorno

Cursos online dão retorno financeiro? Em quanto tempo?

Primeiro, vamos conceituar o que é dar retorno em um contexto de negócio. Para mim, ter retorno é quando se recupera o investimento gasto (tempo e dinheiro) e o negócio começa a dar lucro. Esse momento é chamado tecnicamente de ponto de equilíbrio (break-even point). Além disso, é preciso também considerar se o volume de retorno está dentro das metas para qualificá-lo.

Respondendo agora.

Em geral, dão para quem tem constância e paciência, mas a resposta depende inicialmente de dois fatores:

  • Área abordada pelo curso
  • Quantidade efetiva de público-alvo.

Fato #4 – Área de atuação: TI

Não tenho como falar por todas as áreas, pois não tenho uma pesquisa de mercado. Posso falar da minha, TI. Dentro dela, especificamente, a área de desenvolvimento de software. Ela domina os Market Places faz tempo, pois novas tecnologias surgem como ótimas soluções periodicamente. Fora isso, o desenvolvedor consome muito conteúdo didático online para resolver seus problemas.

Assim, quando olhamos para a área de TI em geral, o mercado é saturado de cursos online atualmente. Rapidamente, todo mundo que sabia fazer algo profissionalmente, também colocou um pé na área de cursos. É um comportamento natural de quem precisa diversificar suas receitas frente a uma crise econômica. Para diferenciar os cursos, os produtores de cursos fornecem vários conteúdos gratuitos como amostra. Esse diferencial já virou regra. Hoje, dificilmente você compra algum curso se já não tiver visto algumas aulas e outros detalhes. Para se destacar em uma área saturada é preciso agregar muitos diferenciais.

Dentro de TI, alta tecnologia não vende tanto como baixa tecnologia. Por exemplo, existem muito mais cursos de desenvolvimento web do que de Realidade Aumentada (AR).

Isso ocorre de trás pra frente. Como existem muito mais vagas no mercado como desenvolvedor web do que desenvolver AR, as ofertas de cursos acompanham o cenário.

Fato #5 – Outras áreas

Em compensação, outras áreas de conhecimento estão apenas começando seu ciclo de cursos online. Essas áreas podem representar belas oportunidades agora. Recentemente, na empresa que tenho de projetos de TI, recebi alguns orçamentos para cursos online de maquiagem, treinamento de Segurança (com VR) e inteligência emocional. A primeira coisa a fazer, para quem quer fazer um curso, é pesquisar o que tem pronto. Só colocar seu conhecimento online, hoje, não é mais suficiente para seu curso tenha uma boa aceitação e conversão.

A marca Vult fez um curso de maquiagem com uma celebridade e atraiu mais de 150 mil pessoas. Veja, é uma situação, possivelmente, totalmente diferente da sua. Você não tem milhões de seguidores para trabalhar uma campanha de que abriu um curso. Sendo assim, é preciso procurar o Market Place mais adequado para o curso que você quer oferecer.

Maket Places

No Udemy, o foco é o baixo custo. Você pode colocar um preço no seu curso desde R$0,00 até quase R$600,00, mas eles incentivam você a participar da promoção deles, em que todos os cursos saem por menos de 30 reais. Na prática, é só entrar periodicamente para descobrir que a plataforma atua com descontos o ano inteiro. Existe um controle de qualidade, mas ele é superficial. Analisam a qualidade do áudio, do vídeo e métricas macro. Não analisam se a pessoa é formada, entende do assunto, tem experiência ou se apresentou algum erro de conteúdo. Falei bastante sobre nossa experiência no Udemy aqui.

UOL cursos também oferece cursos online de baixo custo em diferentes áreas, mas lá existe mais diversidade de preços e menos promoções gerais.

Outro portal na mesma linha de controle de qualidade, mas com foco diferente, é o Hotmart. Ele é focado em marketing digital e possui painel simples para leigos, de modo que, para quem já é um influenciador digital, é bem adequado. Normalmente o valor dos cursos é bem maior do que os preços do Udemy, chegando algumas vezes a mais de R$5.000,00. Os produtores de cursos online recebem dinheiro com vendas diretas, dos alunos que compram diretamente seu curso, e também indiretas, em que os afiliados vendem os cursos usando cupons de desconto. Afiliados são pessoas que vendem seus cursos para você em troca de comissão.

À medida que o controle de qualidade e os requisitos crescem, começamos a andar em direção aos cursos profissionalizantes, que muitas vezes entregam certificados válidos no mercado e são equiparados a cursos técnicos. O Coursera é um portal em que os cursos são todos de instituições de ensino superior.

Outros exemplos mais rígidos: Udacity e Lynda.

Atualmente, temos cursos no nosso portal, Mental Guild, e no Udemy.

Fato #6 – Quantidade efetiva de público-alvo

Lembra quando falei que alta tecnologia não vende e baixa tecnologia sim. Vou dar exemplos de alguns colegas. Uma das pessoas com que já estudei tem atualmente PhD na área de Inteligência Artificial. Durante esse período, algumas grandes empresas de TI o procuraram para desenvolver aplicações de IA que envolvem o reconhecimento do comportamento de pessoas durante o uso de alguns tipos de apps, com enfoque no quesito segurança. Por exemplo, o software detectar se a pessoa entrou com alguma senha sob pressão, acuada. Trata-se de um sistema super avançado, alta tecnologia, mas que ainda está no campo de pesquisa. Imagine um curso sobre isso. Quantas pessoas seriam capazes de acompanhar?

Eu gosto muito dos cursos do Satya Mallic, que é um jedi na área de reconhecimento de padrões. Gostaria muito de dar um curso sobre o tema em português e com exemplos que considero aplicáveis na nossa sociedade, como um sistema que reconhece automaticamente a placa do carro por imagens. Contudo, quantos alunos terei, no máximo? Qual é a quantidade efetiva de público capaz de fazer um curso desse?

Antigamente eu pensava que tecnologia era igual inglês. Todo mundo tem que ter esse conhecimento atualmente, por isso, as pessoas fazem um curso de informática ou TI simplesmente para terem esse conhecimento. Serve para tudo, assim como o inglês. Isso até é verdade, mas vai demorar muito até a maioria das pessoas se conscientizar disso.

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A conta que precisa ser feita

Outro exemplo. Tenho um amigo que trabalha com redes de computador. Ele gosta muito de trabalhar com equipamentos da Microtik e foi bem difícil adquirir o conhecimento que ele tem hoje. Esse equipamento aceita programação via scripts, mas na prática é difícil alguém manjar desse recurso. Ele nunca encontrou um curso sobre isso, nem estrangeiro. Pergunta: ele terá um retorno se fizer um curso disso aqui no Brasil?

Vai depender do número máximo de pessoas que podem se interessar. Em seguida, do número de pessoas, dentre esse total, que ele consegue captar, ou seja, que estejam cientes de que existe esse curso. Então, depende do interesse desse montante. Da parcela final que fica, se inscreve quem tem todos os requisitos necessários: conhecimentos pré-definidos, interesse, tempo e dinheiro do curso. É um grande funil, cheio de etapas e, muitas vezes, de uma etapa para outra sobra 10%.

Fazendo a conta, se seu curso tem um universo total de 1.000 pessoas, das quais você não captou nenhuma ainda, tenho uma má notícia para você. Pode não sobrar ninguém.

Agora, vejam um exemplo famoso, o do Mairo Vergara. Quem assiste aos vídeos de sucesso dele agora, parece que ele usou a fórmula de lançamento e atingiu muito sucesso. Ele já tinha atingido bem antes de usá-la, pois teve constância e paciência por muito mais que 1 ano, postando vídeos de inglês todos os dias no Youtube. Perseverou. Mas vejam que, na área dele, qual é o público efetivo que quer aprender inglês? É por isso que grandes bilionários do Brasil, como Flávio Augusto e Carlos Wizard Martins, fizeram suas fortunas nessa área. O universo é gigantesco.

Certa vez ouvi o Flávio Augusto falar: “se alguém me procura para um negócio faço uma pergunta de cara: é escalável? Se não for, estou fora!”.

Fato #7 – Você gastará

Um curso é um investimento de longo prazo, em que o retorno é esperado após pelo menos 1 ano. Já comentei algumas exceções aqui, mas quem começa do zero (em termos de público, não de conhecimento) não tem como fugir disso.

Existem basicamente 2 formas de se ganhar dinheiro com cursos online. A primeira é ganhar periodicamente, como deixar seu curso aberto, disponível o ano todo para novos alunos comprarem. A segunda é fazer lançamentos pontuais do curso. Imagine que alguns cursos, como um preparatório para um concurso público que vai ocorrer, combina mais com o segundo modo. Já para aprendizado de conhecimentos fundamentais, o primeiro é mais adequado. O fato é que, na teoria, o primeiro modo traz estabilidade, recorrência, previsibilidade de lucro. O segundo traz chance de um maior faturamento a curto prazo, mas com mais riscos. Um momento em que as pessoas compradoras não estão muito propensas a comprar pode arruinar um lançamento de um curso.

Essa verdade também poderia ser colocada como mentira para os que pregam que é possível ganhar com cursos gastando R$ 0,00 de investimento. Basta analisar o seu tempo, quanto vale a sua hora, que rapidamente esse argumento cai. Fora isso, ao montar um curso, cedo ou tarde se gasta algo com ferramentas para potencializar sua divulgação e controle. Se você não quer gastar nada, mas mesmo assim correr o risco de ganhar algo, terá que compensar na constância e realizar bastante trabalho manual. Ao fazer esse trabalho braçal sistematicamente você descobre que vale a pena gastar, principalmente após receber algum retorno financeiro. O processo onde se deve investir fica bem mais claro.

Fato #8 – Cursos online como plano A

Os planos B que começam a dar certo, viram planos A naturalmente. Esse tipo de transição é óbvia e nem comentarei aqui, pois um plano B dando certo já é mais do que meio caminho andado, dependendo das metas de sucesso definidas.

Para quem investe em cursos como plano A, sem antes passá-lo por uma etapa de maturação e crescimento uniforme, rapidamente frusta-se. As desistência recaem no campo manjado da expectativa vs realidade. Para quem espera ganhar X mil reais a curto prazo, a cada mês que passa e o retorno não vem, a batata vai assando. É como aquelas lojas comerciais de bairro que não dão certo, que abrem e não duram nem 1 ano. A expectativa é ter um retorno a curto prazo, como 6 meses, mas como a maioria dos negócios exige um prazo de maturação bem maior que este — e com cursos não é diferente —, a ideia súbita é que não deu certo, acabou a grana e vamos encerrar as atividades.

Fato #9 – Pode não ser para você

Você viu a propaganda de uma pessoa que se deu muito bem com cursos online. Pareceu um processo simples: ela tentou por anos vender os cursos presencialmente, não dava o retorno necessário. Então, foi para o mundo online e decolou. Normalmente essa propaganda vem disfarçada de um vídeo relatando a experiência de superação, o famoso depoimento. O foco é um só: mexer no emocional. Não que o sucesso da pessoa seja mentira, mas a sugestão, quase como uma dedução, de que aquilo pode acontecer com você, é. Não será em casos específicos, em que você já sabe algo realmente útil ou já tem uma grande rede de contatos. Se você não tem os dois, a jornada é muito mais complicada.

Além disso, nem todos tem aptidão para criar cursos. Por mais nobre que seja essa tarefa, é preciso saber passar conhecimento e não apenas detê-los e utilizá-los no dia a dia. É preciso de uma auto-análise crítica quanto ao seu poder de transmissão de conhecimentos.

Na minha opinião, a melhor forma de aprender é ensinando. Então, mesmo que eventualmente você não tenha aptidão para isso em um primeiro momento, uma boa tentativa é observar como você explica um conhecimento para alguém e se obtém sucesso na tarefa. Muito importante também observar se você gosta disso ou não. Com o tempo, essa simples observação ficará transparente para seus alunos nos seus vídeos.

Fato #10 – O que é mentira

Os cursos que vendem cursos atingem um público alvo bem maior de pessoas, logo, são mais lucrativos ou, pelo menos, correm o risco de ser. Assim, quando se muda o tema de Curso sobre XXX, em que XXX é um tema específico, para faça um curso sobre qualquer conhecimento que você possa ter, o leque é aberto em proporções gigantescas. Cada um pode pensar em um curso para dar. Mas a verdade é: ninguém começa do zero. Não dá para colocar o “como dizer” na frente do “o quê dizer”. Você precisa primeiro saber alguma coisa efetivamente útil que possa ser passada. Não caia nessa que é possível ganhar dinheiro só com marketing digital, só conhecendo quem saiba. Saiba separar o que realmente dá certo para seu negócio, que representa sua identidade, e não que seja apenas uma tática de venda manjada. Sabe aqueles e-mails falando “restam poucas vagas”?

Caso queira fazer um curso online, estude, pesquise, peça opinião para contatos, faça enquete para saber quantos compraríamos, qual melhor preço, plataforma, e só então, pense em formular uma grade para executar o plano de negócios. Depois disso, se for o caso, faça algum curso de como fazer curso.

Obrigado pela leitura!

Sobre o Autor

Leandro Pinho Monteiro

Leandro Pinho é engenheiro de computação, graduado em Ciência da Computação na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e mestre em Engenharia da Computação na Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (FEEC) da UNICAMP, ambas formações com foco em Computação Gráfica.Possui experiência no desenvolvimento de sistemas interativos 3D para pontos de venda, marketing e eventos. Atualmente trabalha como consultor de tecnologia e é o responsável pela coordenação dos cursos oferecidos na Universidade da Tecnologia.

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