RA National Geographic

Hoje explicarei como funciona um projeto usado como referência em algumas demandas de tecnologia. Normalmente o cliente passa um briefing, que é o conjunto de solicitações e referências do que ele precisa, e na maioria das vezes vem um vídeo de referência (na legenda da Figura 1) como este abaixo com a ideia de fazer uma instalação parecida, porém com conteúdos digitais personalizados para a mensagem que o cliente quer passar.

Realidade Aumentada National Geographic

Este é um projeto que usa a tecnologia da Realidade Aumentada e foi feito para a National Geographic e instalado por um período em diversos locais com diferentes conteúdos de 2011 a 2013, portanto respondendo algumas perguntas, sim, é um projeto real mesmo e não existe edição simulando a interação, só edição de vídeo normal para compilar os melhores momentos.

A primeira coisa a entender, como em qualquer projeto de realidade aumentada, é que o conteúdo digital, a parte aumentada da interação, no caso a onça pintada na imagem (mas existem outras animações no vídeo) pode ser vista apenas na tela e não ao lado da pessoa efetivamente. Por isso mesmo ela está olhando para frente (onde está a tela) e não para a cabeça da onça como se ela fosse uma holografia (de filme!). Vejam isso na Figura 2. O conteúdo digital, as animações, sempre estarão na tela. E elas se parecem reais porque as animações são produzidas de tal forma que encaixam perfeitamente sobre o piso real do local, capturado pela câmera e reproduzido em tempo real no telão (painel de LEDs), parecendo que o objeto está andando no mesmo chão que o visitante (do shopping) que está na frente do telão. É a mesma sacada que comentei no post de holografia, do virtual certinho sobre o palco, real, aumenta-se o realismo, porém aqui estamos falando de RA ao invés de holografia com o mesmo princípio.

O que acontece então é que muita gente vê só a parte que aparece na tela e, não entendendo a interação como um todo ou não sabendo muito bem como funciona a realidade aumentada, fica com dúvidas se tudo é real ou se tem algo editado e previamente ensaiado.

realidade aumentada national geographic

Em termos de equipamentos, esta instalação conta com um Painel de LED de aproximadamente de 200 polegadas (4m de largura por 3m de altura), que é ligado a (recebe sinal gerado de) um computador, que também é conectado a uma câmera, além da ligação de energia normal. A câmera é posicionada de forma a capturar uma área pré-determinada a frente do telão e neste espaço é posicionado um adesivo, que funciona como um gatilho do software que controla todos estes equipamentos e que roda no computador.

Realidade Aumentada National Geographic

Realidade Aumentada National Geographic

Quando o sistema detecta (via reconhecimento de padrões nas imagens capturadas pela câmera) movimento sobre o adesivo, ele inicia uma das animações. Existem várias para não repetir a mesma animação para pessoas que interagirem com o sistema mais de uma vez seguida. Portanto quando a pessoa anda sobre o adesivo, surge na tela, sobre as imagens da câmera, uma animação da onça pintada com fundo transparente (deixando assim as imagens da câmera na maior parte da tela), depois, se alguém passar de novo, surge o do dinossauro, o do astronauta e assim vai. O software faz um sorteio inteligente para não repetir as animações.

Portanto traduzindo para uma descrição mais simples, trata-se de um software para PC, que utiliza uma câmera profissional para captar as imagens e reconhecer movimento sobre o adesivo e, se reconhecer, toca uma das animações previamente preparadas. Essa última parte é importante porque uma realidade aumentada pode ser interativa ou não no sentido de a pessoa conseguir mudar ou interagir de alguma forma com o conteúdo aumentado. Neste projeto, isso claramente não é possível, ou seja, se os visitantes abaixarem para acariciar a onça ou ficarem parados, a animação será a mesma, não mudará em função do movimento deles. Em alguns casos, este conteúdo muda e daí chamamos de RA interativo. Falaremos mais deste tipo de RA em um futuro post sobre o estado da arte de RA.

Gostou?
Conseguiu entender como é feito este resultado final do vídeo?
Qual projeto você gostaria que explicássemos aqui? Deixe nos comentários abaixo!

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Sobre o Autor

Leandro Pinho Monteiro

Leandro Pinho é engenheiro de computação, graduado em Ciência da Computação na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e mestre em Engenharia da Computação na Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (FEEC) da UNICAMP, ambas formações com foco em Computação Gráfica. Possui experiência no desenvolvimento de sistemas interativos 3D para pontos de venda, marketing e eventos. Atualmente trabalha como consultor de tecnologia e é o responsável pela coordenação dos cursos oferecidos na Universidade da Tecnologia.