Abundância de Hardware, escassez de Mão de Obra

Hoje falarei sobre uma área do mercado de trabalho de TI em que sobram equipamentos e faltam profissionais. E farei isso contando uma parte da história da Mental Guild (método de ensino usado pela Universidade da Tecnologia).

Abundância de Hardware, escassez de Mão de Obra

Escassez de mão de obra no mercado de trabalho

Antigamente, cerca de 15 anos atrás, quando alguém me perguntava com o que trabalhava, eu respondia empolgado: “com desenvolvimento de software 3D” ou, de forma simplificada, “com programação 3D”. A maioria das pessoas entendiam essas afirmações como “trabalha com programação” (o que para alguns é suficiente mas para outros é algo muito amplo e superficial) mas, para mim, que tinha aprendido nos primeiros anos da faculdade a desenvolver sites, banco de dados e software para PC e, nos anos seguintes, me especializei em computação gráfica e comecei a programar projetos tridimensionais, era importante falar o sobrenome 3D. Eu conhecia como era trabalhar com projetos 2D e 3D e a diferença era enorme. Quando me perguntavam mais detalhes, eu explicava que trabalhava com isso para desenvolver games, simuladores e aplicações tridimensionais (acabei fazendo mestrado em simulação de tecidos, mas essa história é para outro post), pois acreditava que no futuro teríamos muitos tipos de software 3D. Uma visão empolgante e com grandes chances de acontecer.

Abundância de Hardware

Acredito que essa visão se concretizou, e que hoje vivemos uma fase em que tecnologias de ponta, como a realidade virtual e a holografia, estão disponíveis, porém em um padrão que eu não imaginava. Existe abundância em alguns equipamentos, como óculos de realidade virtual, desde os que funcionam com computadores até os que funcionam com smartphones, mas ainda existe pouco software de qualidade para essas novas plataformas.

Trabalhei de 2012 a 2014 mostrando software de realidade virtual a clientes e, tirando os de desenvolvimento próprio, ficava limitado a aproximadamente 10 cases de qualidade. Atualmente temos muito mais demos ou software de RV para baixar e testar, mas a maioria ainda peca muito na qualidade visual e na programação (em termos de funcionalidades e usabilidade). E isso acontece principalmente porque o mercado de desenvolvimento desse tipo de aplicação ainda não se consolidou. E não só o de realidade virtual, o de realidade aumentada também, o de holografia, o de sensores 3D e outros similares que envolvem a programação no espaço tridimensional com objetos e cenários. Quantas empresas especializadas em Realidade Virtual e Aumentada você conhece aqui no Brasil? E internacionalmente?

Sabemos que todas estas tecnologias já estão disponíveis por reportagens, por games com grande investimento por trás, ou até por aplicativos que chamam de filtros e efeitos as máscaras 3D que são colocadas de forma mapeada sobre o rosto das pessoas (Snapchat, MSQRD e agora até no Instagram e Facebook), mas quando o objetivo é trabalhar com isso, seja como desenvolvedor ou como empregador, sentimos toda a escassez de mão de obra existente. E sinto que isso não é algo pontual e somente aqui no Brasil. Faz dois meses que recebi um contato da Bélgica buscando mão de obra para trabalhar em um novo SDK de realidade virtual da Google. De novo: o hardware está aí, Google Cardboard, o SDK também, Google RV ou Daydream, mas faltam pessoas que saibam trabalhar com esse tipo de tecnologia.

Escassez de Mão de Obra no Mercado de TI

Eu tentei contratar (e sigo tentando) desenvolvedores 3D durante mais de 1 década que tenham conhecimento e experiência na programação de projetos de realidade aumentada e realidade virtual, mas que efetivamente saibam tudo o que estão fazendo por trás do software que estão mexendo, que saibam dar manutenção e programar em 3D independente de usarem o software X ou a game engine Y. É lógico que é preciso escolher um ambiente para desenvolver, mas atualmente é raro encontrar quem saiba analisar um projeto 3D em fase de ideia para então arquitetar e desenvolver em diferentes plataformas. Acha-se mais o perfil que sabe programar e tem vontade de desenvolver games, mas que nunca se envolveu com matemática e física no espaço 3D ou que só sabe fazer em determinada ferramenta. E quando finalmente achamos alguém dentro deste perfil, está empregado e ganhando muito bem, normalmente como desenvolvedor de games ou de apps mobile 3D. Foi a partir desta constatação que nasceu a ideia de treinar técnicos e programadores convencionais para virarem programadores de games, simuladores e aplicações tridimensionais, e depois de um tempo esse treinamento evoluiu para os cursos oferecidos hoje pela Mental Guild.

No próximo post sobre mercado explico os motivos que criaram e criam essa lacuna de profissionais, mas o importante neste é entender que essas áreas que envolvem a programação 3D, como games, simuladores, realidade aumentada, realidade virtual e holografia, são atrativas para muitos clientes, consumidores e empresas, portanto com a chegada de equipamentos específicos e cada vez mais modernos, a tendência é capacitar os profissionais para trabalharem com esses novos equipamentos do que o inverso, como as grandes empresas de tecnologia abortarem seus projetos de hardware por falta de profissionais.

Programadores 3D

E você, concorda que veremos no dia a dia cada vez mais aplicativos com essas características tridimensionais?

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Sobre o Autor

Leandro Pinho Monteiro

Leandro Pinho é engenheiro de computação, graduado em Ciência da Computação na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e mestre em Engenharia da Computação na Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (FEEC) da UNICAMP, ambas formações com foco em Computação Gráfica. Possui experiência no desenvolvimento de sistemas interativos 3D para pontos de venda, marketing e eventos. Atualmente trabalha como consultor de tecnologia e é o responsável pela coordenação dos cursos oferecidos na Universidade da Tecnologia.

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