Grade Mestre de TI: versão 2019

Depois de preparar o terreno, enfim, anunciaremos a primeira versão da Grade Mestre de TI (Tecnologia da Informação ), válida a partir de 2019. Ela representa uma compilação das principais disciplinas e subáreas de conhecimento que um profissional graduado em TI tem que saber. Esta grade norteará os temas dos novos cursos da Universidade da Tecnologia, abrangendo os 3 propósitos: projetos de TI, mercado de TI e concursos públicos de TI. Este post explica como a grade foi montada para, então, apresentá-la.

“one ring grade to control them all”

Uma compilação das principais disciplinas e conhecimentos de TI

Grade Mestre de TI

Como tudo começou

Em 2013, quando ainda estava trabalhando na empresa Eyemotion, surgiu a ideia de criar uma instituição de ensino, o Instituto Eyemotion. O primeiro curso foi montado ali, o que hoje se chama Especializações em Computação Gráfica (veja no menu Cursos do site), mas com uma grade diferente. Se hoje ele é considerado avançado pela maioria dos alunos que o fazem, imaginem como era na época. Poucos conseguiam fazê-lo, pois como pré-requisito era necessário ter bons conhecimentos de programação e computação gráfica.

Foi a partir daí que comecei a ampliar a grade e os cursos. No lugar de abordar só programação com computação gráfica, foram abordados cursos com os primeiros passos na aprendizagem de programação. Foi então que, 2 anos mais tarde, em 2015, abri minha empresa, montei uma equipe, o “eu” virou “nós” e os cursos começaram a nascer com grande atenção e preocupação na didática. Não, a empresa não é a Universidade da Tecnologia (Utec). É a Mental Guild, empresa que criou o método dos cursos que são usados na Universidade da Tecnologia.

Na UTec, com a incorporação dos cursos já existentes, a grade de conhecimentos em TI tornou-se mais ampla. Não nos limitamos mais aos primeiros passos em programação, passando a abordar, também, os primeiros passos em tecnologia. Os nomes dos cursos em 2017, ano de lançamento, já sugeriam uma sequência, o início de uma nova grade, e eram os seguintes:

  • Fundamentos de Tecnologia (Introdução)
  • Fundamentos de Programação
  • Desenvolvimento Multiplataforma
  • Especializações em Computação Gráfica

Ampliação da grade e ponto de partida

O objetivo era claro: ampliar a grade para preparar alunos que desejam fazer os cursos avançados, mas ainda não estão capacitados para eles. Contudo, somente esse pensamento, com o tempo, não se sustentou como objetivo principal. As pessoas desejam se especializar em outros campos de atuação, além da computação gráfica. Assim, surgiu uma necessidade, ajustar os cursos iniciais de forma a criar sequencias para aprimorar outras subáreas de TI, como desenvolvimento web, mobile e PC.

Para a tarefa de ampliação, a primeira referência que veio à cabeça foi minha graduação. Analisar como a grade estava quando cursei, de 2000 a 2003, e como é hoje, em 2018. Isso foi feito aqui. Naturalmente, ela não pode ser considerada uma referência absoluta de um curso de graduação em Ciência da Computação, como expliquei no post de análise. No entanto, é, sem dúvida, um ponto de partida.

Primeiro filtro

Contudo, no meu caso particular, somei ao estudo da graduação mais 4 anos de mestrado, e depois, no mercado de trabalho, utilizei por volta de uns 40% do que aprendi de conhecimento (é claro que fica a experiência de vida de toda a trajetória). Assim, o primeiro filtro na grade é a taxa em que os assuntos dados em cursos de graduação da área de TI, como Ciência ou Engenharia da Computação, Informática e Processamento de dados, são cobrados em vagas e oportunidades de trabalho. Usei o site ApInfo para essa análise junto com relatos de alunos, colegas da área e minhas pesquisas e experiências acadêmicas e corporativas.

Assuntos muitos especializados, como os que vi no mestrado, possuem pouca demanda no mercado de trabalho. Alta tecnologia é muito legal, mas não está tão disponível para a maioria da população como baixa tecnologia. A maioria tem celular, mas uma minoria tem um óculos de realidade virtual.

Do outro lado, alguns assuntos vistos na graduação como mais um tópico ou como uma ou duas disciplinas, na verdade representam grandes áreas do mercado de TI, como desenvolvimento web e banco de dados que, só eles, correspondem a uma graduação especializada.

Portanto, o primeiro filtro inseriu um forte aspecto prático na grade. Tudo que era muito teórico e não tinha uma grande aplicação no mercado, foi cortado.

Revisão do primeiro

Olhando somente para a grade de cursos de graduação em TI e para o mercado, os assuntos dos cursos soaram como cursos profissionalizantes. Afinal, no mercado, não é obrigatório ter curso de graduação para atuar na área. Conheço profissionais que não têm formação acadêmica e são ótimos programadores. Um conhecimento técnico em uma ferramenta e sua prática repetitiva já lhe capacita, em muitas situações, a trabalhar e com qualidade. Mas essa não era bem a ideia da grade, de focar 100% na capacitação profissional.

Universidade da Tecnologia é uma universidade informal, que não corresponde ao sentido estrito de reconhecimento pelo MEC, formado por diferentes Faculdades, com campus físico e outros aspectos tradicionais. Diferentemente, ela se propõe a montar e oferecer cursos com valor agregado de preparação igual ou superior ao de faculdades que estão presas em um formato de ensino mais tradicional.

Não somos os únicos a pensar dessa forma. A plataforma de ensino Meu Sucesso é outro exemplo de alternativa à forma de ensino tradicional no Brasil. Ela forma pessoas em que os instrutores dos cursos são profissionais da área, e não professores. Admiramos as vantagens desse formato, mas o vemos com um viés muito prático, próximo do primeiro filtro da nossa grade. Fora isso, o nicho é, quase sempre, empreendedorismo. Nós trabalhamos com 3 nichos.

No nosso formato de ensino buscamos um maior equilíbrio entre teoria e prática. A produção nasce na academia, com estudo teórico de literatura consagrada, e depois vira um material mais lúdico e interessante de ser aprendido com práticas úteis, mas em todos os momentos existe uma forte ligação com as atividades atuais do mercado. Estamos atentos aos extremos do ensino formal e informal para não perdermos a essência do que é necessário em TI para a maioria e para o mercado.

Segundo filtro

Como solução do equilíbrio faltante, encontramos uma importante fonte externa de referência para embasar algumas decisões: concursos públicos. Os focados em TI, que exigem diploma de graduação em áreas de TI, naturalmente.

O primeiro passo foi levantar, enumerar e analisar os principais cargos públicos em TI que são preenchidos por concursos públicos. Falei deles aqui, destacando seus vencimentos.

Dois deles chamaram atenção por alguns motivos:

  • Concursos recentes, ambos de 2018
  • Vencimentos acima de 20 mil reais para carga horária de 40 horas por semana
  • Dificuldade de entrar em dois órgãos dos mais concorridos: Polícia Federal e Receitas Estaduais e Federal

Primeiro, fizemos uma análise do edital e da prova de Perito Criminal Federal. Está aqui.

Depois, fizemos o mesmo com o edital de Auditor Fiscal Estadual, em TI, do Estado de SC. Post está aqui.

Então, voltamos a comparar nossa grade mestre de TI, preliminar, com as grades cobradas nesses 2 editais.

Ordem de apresentação vs cursos existentes

Assim, chegamos na grade mestre de TI, que entrará em vigor a partir de 2019. Ela servirá como referência de assuntos, nosso guia para criação dos assuntos de novos cursos. Naturalmente, para casar o tema com o maior interesse do público, não vamos seguir uma ordem específica para a criação de cursos, mas o faremos para apresentação dos assuntos.

A ideia é criar uma lista ordenada em que o critério de ordenação seja a sequência mais lógica, natural e intuitiva possível entre os assuntos que requerem conhecimentos prévios para serem entendidos. Por exemplo, para quem sabe pouco de tecnologia, não é adequado começar aprender TI por programação. A pessoa antes tem que saber os fundamentos de TI para, depois, saber programação e itens similares. É preciso adquirir conhecimentos sobre a memória RAM, sistemas operacionais, interface, resolução e uma série de outros conhecimentos, necessários no desenvolvimento de sistemas.

Por outro lado, quem já domina algumas subáreas de TI, pode querer se especializar somente em temas que não entende tanto.

Grade Mestre de TI

Agora sim, finalmente, eis a grade:

1. Fundamentos de Tecnologia da Informação (TI)

  1. Informática, TI, Dados, Hardware e Software
  2. Principais hardwares
  3. Classificações de hardware
  4. Características técnicas de hardwares
  5. Principais softwares
  6. Classificações de software
  7. Características técnicas de softwares
  8. Arquivo, Diretório e Unidade
  9. Internet e redes
  10. Introdução aos principais sistemas operacionais
  11. Introdução aos principais softwares aplicativos
  12. Recursos tecnológicos, inovação e atualidades

2. Arquitetura e Organização de Computadores

  1. História da evolução dos computadores e sistemas
  2. Processadores: histórico, partes, características, evolução e atualidade
  3. Memórias: cache, RAM e  armazenamento (fitas, HD, SSD e outras)
  4. Arquitetura de computadores: Von Neumamn e outras
  5. Periféricos e Comunicações entre equipamentos
  6. Placas de vídeo: histórico, partes, características, evolução e atualidade

3. Sistemas Operacionais

  1. Princípios de sistema de arquivos
  2. Unix: histórico, partes, características, evolução e atualidade
  3. Linux: histórico, partes, características, evolução e atualidade
  4. Windows: histórico, partes, características, evolução e atualidade
  5. Android: : histórico, partes, características, evolução e atualidade
  6. iOS: : histórico, partes, características, evolução e atualidade
  7. Tecnologias de virtualização: emuladores, máquinas virtuais, paravirtualização, contêineres.

4. Redes de Computadores

  1. Topologias e classificações de redes
  2. Equipamentos de rede e suas características
  3. Modelo de referência OSI
  4. Arquitetura e protocolos de redes de comunicação
  5. Redes cliente-servidor e P2P
  6. Protocolos TCP/IP, HTTP, HTTPS, TCP, UDP, SMTP, POP, IMAP, STP
  7. Redes sem fio

5. Engenharia de Software

  1. Classificação e modelos de software
  2. Processo de desenvolvimento de software
  3. Engenharia de requisitos
  4. Diagramas e UML
  5. Métodos formais
  6. Gerência de projeto

6. Infra-estrutura e Internet

  1. Eletrônica digital
  2. Microcontroladores
  3. Internet das Coisas
  4. Computação em Nuvem
  5. Tecnologias de armazenamento DAS, NAS e SAN.
  6. Cópias de segurança (backups): meio de armazenamento, periodicidade e disponibilidade.

7. Banco de Dados

  1. Arquitetura e modelos
  2. Principais SGBDs de modelos relacionais
  3. A linguagem de consulta SQL
  4. SBGDs NoSQL: tipos e características
  5. Transações: características e análise de logs.
  6. SGBDs MySql, Postre SQL, SQL Server e Oracle em suas versões atuais

8. Desenvolvimento de software

  1. Desenvolvimento de projetos
  2. Arquitetura de software
  3. Algoritmos, variáveis e dados
  4. Estruturas de dados
  5. Compilador e interpretador
  6. Linguagens de programação
  7. Desenvolvimento web
  8. Desenvolvimento mobile
  9. Desenvolvimento PC
  10. Software embutido
  11. Linguagem Python
  12. Linguagem Javascript
  13. Linguagem PHP
  14. Linguagem C/C++/C#/Obj=C
  15. Linguagem Java
  16. Linguagem Kotlin
  17. Linguagem Swift
  18. Linguagem SQL
  19. Grafos
  20. Análise de Algoritmos
  21. Inteligência Artificial
  22. Computação gráfica
  23. Realidade Aumentada
  24. Realidade Virtual

9. Segurança da Informação

  1. Princípios: assinaturas, certificados e criptografia
  2. Segurança em computadores, redes e na Internet
  3. Monitoramento e análise de tráfego
  4. Classificação de software malicioso
  5. Firewall, sistemas de detecção/prevenção de intrusão (IDS/IPS), NAT, VPN e proxies.
  6. Ataques e defesas cibernéticas
  7. Criptografia: histórico, classificações, algoritmos, características, evolução e atualidade
  8. Técnicas de recuperação de dados

10. Especializações (equivalente às ênfases no último ano)

  1. Inteligência Artificial: machine learning e recebimento de padrões
  2. Computação Gráfica: síntese e processamento de imagens
  3. Visão robótica: análise computacional de imagens combinadas com IA e reconstrução 3D
  4. Realidade Aumentada, Virtual e Holografia
  5. Recursos Tecnológicos avançados: mecatrônica e automação
  6. Robótica: histórico, disciplinas, características, evolução e atualidade

Ajude a evoluí-la

Curtiu?

Elaborar esta grade não foi fácil, de forma que foi preciso considerar alguns itens e tirar outros. De qualquer forma, esta é apenas a primeira versão da grade mestre de TI. Como anunciado, iremos evoluí-la com o passar do tempo. Para isso, seu feedback é essencial e contamos com ele. Interaja conosco e participe para a evolução da grade.

Entre em contato conosco pelos nossos canais de comunicação (facebook, instagram, e-mail, whats app ou telefone). Escolha o que mais lhe agrada e mande suas sugestões, críticas e comentários.

Obrigado!

Sobre o Autor

Leandro Pinho Monteiro

Leandro Pinho é engenheiro de computação, graduado em Ciência da Computação na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e mestre em Engenharia da Computação na Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (FEEC) da UNICAMP, ambas formações com foco em Computação Gráfica.Possui experiência no desenvolvimento de sistemas interativos 3D para pontos de venda, marketing e eventos. Atualmente trabalha como consultor de tecnologia e é o responsável pela coordenação dos cursos oferecidos na Universidade da Tecnologia.

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